Centro Hospitalar Lisboa Norte

Centro de Referência para a Área de Epilepsias Refractárias

Epilepsia

O que é a epilepsia?

A epilepsia “é uma perturbação cerebral caracterizada por uma predisposição duradoira para gerar crises epilépticas, e pelas consequências neurobiológicas, cognitivas, psicológicas e sociais da mesma. Requer a ocorrência de pelo menos uma crise epiléptica” (Fisher et al, Epilepsia, 2005).
  

O que é a epilepsia refractária?

A definição da Liga Internacional contra a Epilepsia (ILAE) atualmente aceite para esta situação (Kwan et al, Epilepsia 2010) diz que uma epilepsia refractária é aquela em que “houve falhanço de dois regimes terapêuticos apropriados e bem manejados para o tipo de crises epilépticas (CEs)/síndromes epilépticos (quer em mono, quer em politerapia) para obter um controlo duradoiro das CEs”.
 

Grupo de Cirurgia de Epilepsia

O Grupo de Cirurgia da Epilepsia (GCE) é um grupo multidisciplinar que tem por objectivo estudar doentes com epilepsia refractária e analisar a sua eventual indicação para tratamentos cirúrgicos.

É constituído por:

Coordenador- Prof. José Pimentel

Neurologistas clínicos- Dra. Carla Bentes, Dra. Ana Rita Peralta, Dra. Ana Franco, Prof. José Pimentel

Neurofisiologistas- Dra. Carla Bentes, Dra. Ana Rita Peralta

Neurocirurgiões- Prof. A. Gonçalves Ferreira, Dr. Alexandre Campos

Neuropediatra - Dra. Sofia Quintas

Neurorradiologista - Dr. Carlos Morgado

Neuropsicólogos - Prof. Isabel Martins, Prof. Lara Caeiro

Terapeuta da fala - Dr. José Fonseca

Psiquiatra- Dr. Luis Camâra Pestana, Dra. Susana Loureiro, Dra. Filipa Novais, Dra. Mafalda Andrea

Neuropatologia - Prof. José Pimentel

História do GCE

Em 1992, foi criado o Grupo de CE do HSM (GCE-HSM) destinado a estudar os casos de epilepsia refractária numa perspectiva cirúrgica. A primeira CE foi efectuada, com êxito, em Outubro desse ano. O número de doentes estudados e o número de cirurgias efetuadas cresceram paulatinamente durante os primeiros anos. Inicialmente o Grupo tinha reuniões mensais, as quais, posteriormente, passaram a quinzenais; foram sempre reuniões abertas, às quais, para além dos elementos das diferentes áreas envolvidas, assistiam frequentemente colegas de outras instituições para apresentar casos. O GCE-HSM, com a constituição e estrutura atuais, iniciou a sua atividade no ano de 2000, e muitos dos elementos de então transitaram para o atual.

Tratamentos

Tratamentos cirúrgicos da Epilepsia Refractária no GCE

O tipo de tratamento cirúrgico da epilepsia depende do tipo de epilepsia em causa, da sua etiologia e tipo de crises epilépticas. Existem diversas alternativas cirúrgicas.

1. Cirurgia ressectiva - remoção da lesão que provoca a epilepsia, e, eventualmente, do tecido cerebral anormal à sua volta. Realizada para epilepsias focais provocadas por lesão ou disfunção de áreas cerebrais específicas e bem delimitadas.

 2. Calosotomia - secção de parte ou de toda a estrutura cerebral – corpo caloso – que une os dois hemisférios cerebrais. Realizada para crises focais com generalizadas ou  generalizadas. É um tratamento paliativo que não cura a epilepsia mas pode reduzir o número de crises ou a sua gravidade.

3. Hemisferotomia - desconexão do hemisfério cerebral onde se situa a lesão que está a provocar a epilepsia, com remoção de uma pequena parte do córtex do mesmo. Doentes com epilepsia refractária com lesão e disfunção extensa, e confinada a um dos hemisférios cerebrais.

4. Implante de neuroestimulador vagal - colocação de um estimulador eléctrico por baixo da pele da região do pescoço ou da axila, ligado ao nervo vago esquerdo, de maneira que, por intermédio da sua estimulação, se possa conseguir uma melhoria do controlo das crises.  Constitui um método paliativo, que visa contribuir para o controlo das crises, mas não permite a sua total paragem.

5. Estimulação cerebral profunda - colocação de 2 eléctrodos numa zona específica do interior do cérebro, de maneira que possa ser estimulada electricamente a partir de um estimulador colocado na região torácica, por baixo da pele. Constitui um método paliativo, que visa contribuir para o controlo das crises, mas não permite a sua total paragem.

 As intervenções de estimulação cerebral obriga o doente a visitas periódicas para vigilância do seu funcionamento e ajuste dos parâmetros de estimulação. O estimulador tem uma bateria que terá de ser substituída (através de uma incisão na pele) com uma periodicidade de 2-6 anos, consoante a utilização do mesmo e as características individuais do doente.

Exames

Exames complementares realizados pelo GCE 

Ressonância Magnética  (3,0 Tesla) -  realizado para avaliar a anatomia cerebral e caracterizar eventuais lesões que possam dar origem a epilepsia. São realizados protocolos de análise especificamente definidos para estudar doentes com epilepsia.

Monitorização vídeo-EEG - electroencefalograma prolongado, geralmente durante 5 dias (mas variável, conforme o quadro clínico) em regime de internamento, com registo simultâneo das crises epilépticas por uma câmara de vídeo. Em casos selecionados e, portanto, menos frequentemente, este exame pode ter de ser realizado colocando os eléctrodos - tiras, grelhas - diretamente em contacto com o cérebro, e a maior ou menor profundidade, sendo necessário, neste caso, uma operação prévia (craniotomia). A este conjunto de procedimentos chamamos monitorização invasiva. Durante este exame existe, frequentemente, a necessidade de reduzir ou interromper a medicação antiepiléptica.

SPECT - exame aparentado com uma radiografia com injeção de um produto radioactivo, quer seja no intervalo, quer seja durante as crises, para verificar se ela se fixa na zona do cérebro que aparenta estar lesada.

PET (semelhante ao SPECT).

Avaliação neuropsicológica - realização de testes para determinar a presença ou ausência de defeitos cognitivos prévios à cirurgia, nomeadamente alterações da linguagem, da atenção e da memória. Esta avaliação vai permitir monitorizar o funcionamento cognitivo após a cirurgia, razão porque o doente deverá ser chamado para realizar novas avaliações após a mesma.

Avaliação psiquiátrica - visa a clarificação de patologia psiquiátrica atual ou passada que possa condicionar a adesão ao projeto de tratamento, bem como determinar a capacidade de compreender os benefícios e riscos associados ao procedimento. São utilizadas, igualmente, escalas e testes psicopatológicos. Esta avaliação vai permitir também monitorizar o estado mental após o procedimento, razão pela qual o doente deverá ser chamado para realizar novas avaliações após a intervenção.

Ressonância magnética funtional – é uma ressonância magnética em que é necessário realizar algumas tarefas cognitivas, permitindo assim determinar as áreas cerebrais que são responsáveis pode desempenhar funções determinadas. Podem ser realizadas, por exemplo, para avaliar as áreas responsáveis pela linguagem, motricidade, etc.

Laboratórios Certificados

Laboratórios certificados no GCE

No GCE existem diversos laboratórios que têm os seus procedimentos certificados de acordo com  a Norma ISO9001, certificados pela SGS.  Neste momento, estão certificados os seguintes laboratórios:

-          Laboratório EEG/Sono

-          Laboratório de Neuropatologia

-          Laboratório de Linguagem – terapia da Fala

-          Hospital de Dia do Serviço de Neurologia

-          Serviço de Neuropediatria

Casuística

No HSM foram efetuadas até agora mais de 270 cirurgias que incluem todos os tipos acima identificados.

Pode comparar os nossos resultados (conteúdo disponível em breve) através da secção “Links úteis”.

 

Links úteis

Liga Portuguesa Contra a Epilepsia (LPCE)

http://www.epilepsia.pt/lpce
 

EPI - Associação Portuguesa de Familiares, Amigos e Pessoas com Epilepsia

www.epilepsia.pt/epi
 

International Bureau of Epilepsy

www.ibe-epilepsy.org/

International League against Epilepsy (ILAE)

http://www.ilae.org

Cirurgia da Epilepsia Cleveland Clinic

http://my.clevelandclinic.org/services/neurological_institute/epilepsy/treatments-services/treatment-outcomes