Centro Hospitalar Lisboa Norte

CHLN REFORÇA COOPERAÇÃO COM ULSLA

No dia 22 de fevereiro, o Presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN), Dr. Carlos das Neves Martins, acompanhado pelos Diretores do Serviços de Imunohemoterapia e de Otorrinolaringologia, Dr. Álvaro Beleza e Dr. Leonel Luís, respetivamente, deslocou-se a Santiago do Cacém, para reunir com o seu homólogo da Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano (ULSLA), Dr. Paulo Jorge Espiga Alexandre e respetiva equipa de gestão, com a finalidade de efetuar um balanço da afiliação ULSLA/ CHLN, em vigor, nas seguintes especialidades: (i) Imunohemoterapia, (ii) Pneumologia, (iii) Otorrinolaringologia, (iv) Patologia Clínica e (v) Anatomia Patológica.

Nesta última ressalva-se que as relações de cooperação funcionam em sentido inverso, ou seja o CHLN recebe uma vez por semana, um médico especialista da ULSLA.

Durante esta reunião foi efetuado um balanço muito positivo da relação entre o CHLN e a ULSLA, que gerou, nesta última, uma nova oferta e uma maior acessibilidade, evitando nas especialidades supracitadas, transferências ou deslocações para a área de referenciação. Segundo o Presidente do CHLN «O balanço que estivemos a fazer foi extremamente positivo e hoje estivemos a falar do futuro, que vai passar por ampliarmos o acordo vigente na área da formação. Em breve, iremos ter duas reuniões, uma em Lisboa, e que servirão para definirmos os contornos dos termos de referência do novo Acordo, que depois iremos assinar aqui, num segundo momento, à semelhança do que feito com os outros Acordos Específicos. A ideia passará por fechar o Acordo ainda este trimestre, para que no início do segundo trimestre já estejamos prontos a operacionalizá-lo. Neste caso, falamos mais de carreiras do que especialidades, ou queremos disponibilizar a Sala de Educação Virtual e oferecer um visionamento com vários ângulos e zooms de detalhe de cirurgias no nosso Bloco Operatório. Podemos fazer essa retransmissão para Santiago do Cacém, sobretudo de doentes que tenham sido referenciados da ULSLA para o CHLN, para além de haver sempre a abertura para integrar nas nossas equipas, profissionais da ULSLA. Em termos práticos, esta oferta de tecnologia de ponta passará por abrirmos o sinal para o visionamento de determinadas cirurgias e fazermos, por essa via, formação. Temos ainda depois, também na área da formação, a abertura para analisar, conjuntamente com o nosso Centro de Formação, as oportunidades de colaboração, no Hospital Santa Maria e no Hospital Pulido Valente, de ações e planos de formação para os profissionais da ULSLA das várias carreiras: Médica, Enfermagem, TDT’s e de outras profissões de saúde em que temos capacidade para apoiar, em termos formativos. Esta situação não representa um esforço adicional para o CHLN, pois temos estabelecidos os nossos programas de formação e já o temos feito com outras instituições do País, e inclusivamente, com Países de Língua Oficial Portuguesa. E por último estivemos igualmente a analisar a melhor forma de articulação, no que respeita a alcançar uma maior diversidade de oferta da ULSLA, a novos profissionais ou seja, através do CHLN os profissionais poderem ter acesso ao Programa Doutoral do Centro Académico de Medicina de Lisboa e, também em paridade circunstancial com qualquer profissional do CHLN, terem a oportunidade de participação em ensaios clínicos, publicando os respetivos papers e ampliando o seu conhecimento científico. Queremos abrir estas oportunidades não só aos profissionais médicos, mas também a outras carreiras como Enfermeiros e Farmacêuticos, que devem integrar os ensaios clínicos e os estudos científicos, possibilitando a sua participação ativa e possibilitando a sua diferenciação ou ainda, e em função do plano de investimentos da ULSLA, possibilitando o contacto com equipamentos e tecnologias de ponta. Toda esta matéria irá integrar o novo Acordo Específico que vamos firmar muito em breve.», explicou o Dr. Carlos das Neves Martins.

A atual relação de cooperação com a ULSLA é garantida com profissionais médicos do CHLN – desde Internos até Chefes de Serviço – que se deslocam até Santiago do Cacém, garantindo consultas e cirurgias, por forma a contribuir para o acréscimo de acessibilidade, diminuindo listas de espera e otimizando instalações e equipamentos com claros benefícios para a população abrangente. Um processo que, adianta o Dr. Carlos Neves Martins «tem sido tranquilo, ou seja nunca fizemos dele grande publicitação, nem grande referência externa, limitando-nos à sua divulgação interna em reuniões com os profissionais. É um processo no qual fomos pioneiros e que nos orgulhamos. Iniciámos em 2014 e, passado 3 anos, provámos à evidência que é um modelo viável e inclusivamente, existem já outras instituições que estão a seguir este modelo, e ficamos muito felizes com isso. Ou seja, um modelo que muitos inicialmente tinham como impossível, isto é de as grandes instituições saírem para fora dos seus “muros” em direção ao cidadão e aumentando a sua proximidade, está agora provado que é possível e inclusivamente, com a satisfação dos profissionais que o fazem, e nalguns casos até com a “migração” positiva desses profissionais para as zonas mais carenciadas. É, efetivamente o que nos dá a satisfação maior no “fim da história”.»

O Protocolo de Cooperação entre a ULSLA e CHLN foi assinado a 11 de junho de 2015. Inicialmente, fez-se a sua consolidação nas especialidades de Imunohemoterapia e depois com na Pneumologia, na Otorrinolaringologia, na Patologia Clínica e na Anatomia Patológica. E agora encerra-se este ciclo de cooperação com a formalização de mais um Acordo Específico na área da Formação.

O Presidente da ULSLA, Dr. Paulo Espiga, explicou um pouco sobre os principais benefícios sentidos com o estabelecimento desta profícua relação com o CHLN, abordando o contexto da instituição a que preside, «Somos Litoral Alentejano, mas não deixamos de estar no interior do País. Este é um Hospital relativamente recente, inaugurou-se em 2004 e veio substituir uma pequena unidade concelhia. E durante todos estes anos, foi com muita dificuldade que se conseguiu atrair profissionais para cá, em todas as áreas. Na área da Cirurgia, da Medicina e da Ortopedia foi sendo possível a constituição de equipas e Serviços, obviamente sem as dimensões desejadas e necessárias. Mas, em outras áreas, fomos colmatando as dificuldades através da contratação de um ou dois profissionais de cada área, em regime de prestação de serviço, e essa realidade levou a que, este Hospital, em muitos momentos, não conseguisse dar a resposta necessária à sua população. Muitos dos nossos residentes tinham que efetuar deslocações, seguindo a rede de referenciação imposta, com grande dificuldade e muitas vezes, sem ter à sua disposição, uma rede de transportes adequada. Nesse sentido, é importante dizer que esta afiliação em concreto veio permitir colmatar esta falha, porque tal como foi já dito, um jovem médico tem expectativas de não ver a sua carreira estagnar, e de continuar a investigar e a atualizar-se naquilo que é o “Estado da Arte” da sua Especialidade. Vir exercer para Santiago do Cacém, seja para outras localidades do interior, para um Serviço em que o mesmo é representado por ele próprio e outro colega, não é propriamente a situação mais atrativa, independentemente dos benefícios financeiros que existam. Portanto esta relação com o CHLN resolve-nos um pouco esses dois problemas ou seja, traz-nos aquilo que está mais atual em termos de prática clínica e dá-nos contacto direto com um centro diferenciado, poupando-nos a demoras administrativas muito significativas. Agora», explica com nítida satisfação, «temos linhas de referenciação muito mais objetivas, em que os doentes têm acesso a cuidados de saúde de forma muito mais rápida, ganhámos mais profissionais, alguns inclusivamente entusiasmados a criar o Serviço, a criar uma estrutura, mas contudo sem perder a ligação a um centro diferenciado e sem sentirem o isolamento da falta de contacto com colegas. São em todos estes aspetos,» sustentou o Dr. Paulo Espiga «que definem a extrema importância desta afiliação. E também muito importante para o Serviço Nacional de Saúde (SNS), porque estamos a reforçar a rede que, e ao contrário do que as pessoas muitas vezes pensam, têm níveis diferentes. Nós [ULSLA] nunca podemos, nem devemos ter aqui diferenciações que não se justificam, tendo em conta aquilo que é a nossa dimensão. Por isso ter uma rede, perfeitamente estruturada não na burocracia, mas sim nas necessidades, é essencial para os nossos doentes e para o SNS.»

Esta relação de cooperação permitiu à ULSLA reiniciar as cirurgias na Especialidade de Otorrinolaringologia, que já não eram realizadas há dois anos, e disponibilizar consultas necessárias aos doentes. Deu igualmente a possibilidade de realizar exames diferenciados, e de fazer diagnósticos mais complexos aos doentes da ULSLA com devido acompanhamento dos casos, proporcionando significativos ganhos em saúde.

Sobre o futuro, o Presidente da ULSLA afirmou que «Queremos diferenciar este Hospital, mas naquilo que está previsto na rede, ou seja um Hospital de primeira linha e queremos também manter a estreita articulação com hospitais referenciados e, na qual, esta relação presencial com o CHLN é essencial. Temos a expectativa que, até final de 2017, sobretudo na área de ORL, a situação das listas de espera esteja regularizada. Evoluindo este Protocolo de Cooperação para a área da Formação, a nossa expectativa é dar aos nossos profissionais o que não temos capacidade para oferecer, ou seja o acesso a formação mais diferenciada, muitas vezes sem implicar deslocação ou seja via e-learning, utilizando as ferramentas atualmente disponíveis.»

O CHLN foi, em 2014, pioneiro na utilização do modelo da afiliação, utilizado, primeiramente, com o Centro Hospitalar do Oeste, nas Caldas da Rainha, com quem formalizou laços de cooperação que perduram com sucesso até hoje. Posteriormente ampliou, a unidades hospitalares das Regiões Autónomas, do Algarve, do Alentejo e da Península de Setúbal. Mais um contributo pioneiro e positivo do CHLN ao Serviço Nacional de Saúde, atualmente já seguido por outras instituições de ampla capacidade de resposta e diferenciação.